[POSTADO ORGINALMENTE EM 02/07/2008]
Pensando sobre o que escrever, acabei relendo o último artigo e resolvi aproveitar a deixa sobre o, talvez, mais conhecido fotografo publicitário do último século – quiçá da história da publicidade impressa.
Foto: Divulgação ——————————-

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Mini-Currículo
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Olivieiro Toscani nasceu em Milão, em 1942. Aos seis anos teve a revelação da sua vocação, quando o pai lhe ofereceu uma máquina fotográfica.
Publicou a primeira foto em Julho de 1957, com 14 anos de idade. O pai, repórter fotográfico em serviço para o jornal, passou-lhe para as mãos uma Leica e pediu-lhe para fotografar o que visse de interessante: fotografou o rosto, de luto, da mulher de Mussolini durante o funeral do ditador. A fotografia de Rachel Mussolini deu a volta ao mundo e Oliviero tornou-se fotógrafo.
Depois de ter estudado fotografia na Kunstgewerbe, em Zurique, começou a trabalhar para revistas de moda — Elle, Vogue for Men, Lei, Donna, GQ, Mademoiselle, Harper’s. Mas, acima de tudo, é o criador que está na origem das mais famosas campanhas da indústria de moda — Jesus Jeans, Prénatal, Valentino, Esprit e Fiorucci.
A missão de difundir e valorizar a imagem internacional da Benetton proporcionou-lhe numerosas recompensas, entre as quais o Grande Prêmio de Cartaz e o Grande Prêmio UNESCO. Em 1989 foi contemplado com o Leão de Ouro no Festival de Cannes.
Vive na Toscana com a mulher, Kirsti, e os seus três filhos. Os seus passatempos favoritos são: a cultura de vinhas e oliveiras e a criação de cavalos Appaloosa.
(Extraído do site CentroAtlantico.pt – http://www.centroatlantico.pt -
Acesso em 10 fev. 2007)
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E de onde veio todo este sucesso e essa polêmica?
Um dos primeiros trabalhos de Toscani despertou a ira da Igreja Católica: na Itália, foram postos outdoors com a propaganda de uma marca de jeans, Jesus Jeans, feita for ele. O produto gráfico (ver imagem abaixo) era composto da imagem da cintura até as coxas de uma mulher, de costas, vestida de um short jeans curto com os dizeres “Chi mi ama | me segua.” (Se me ama, me siga). O texto faz uma alusão da marca com o nome do inspirador da Igreja e agravado com a imagem de uma mulher praticamente desnuda.

Comandando o setor de publicidade da empresa de roupas BENETTON com carta branca para inovar, Toscani colocou em pratica, diga-se de passagem, de forma brilhante seu conceito de publicidade social. Para ele, não justificava grandes empresas, como a FIAT, gastar todos os anos milhões de dólares para apresentar ao público ilusões, uma publicidade pronta que não permitisse a interatividade, a interpretação do cliente.
Em seu livro, “A Publicidade É Um Cadáver Que Nos Sorri” (1996), Oliviero afirma que não fazia publicidade para vender os produtos da BENETTON, pois ele não teria a coragem de vender algo que não afirma ser bom. Enfim, Toscani queria o diferente – afinal, ser criativo não é fazer diferente? – e como conclui Maurícius Martins Farina (jornalista): quando disse que “a publicidade é um cadáver que nos sorri” e que “os publicitários a perfumam todos os dias” porque senão ela “cheira mal” (Toscani) estava propondo uma nova publicidade, sob um novo paradigma: “a realidade” ao invés da “ilusão”.
| Toscani teria dito que foi a Guerra do Golfo que o levou a pensar o novo quadro em que passaria a formular a publicidade do futuro. A publicidade social e historicamente empenhada. Logo, um momento histórico único como fonte de inspiração e de responsabilidade planetária acrescida. Ele passou a querer mostrar o que une e separa as pessoas, através da exibição intensiva dos grandes cinco temas da existência: o sexo, a religião, a raça, a vida e a morte. Sem mediações. Com uma técnica intencional de brutalização da comunicação. Provocando emoções fortes sobre o cidadão consumidor da publicidade de larga escala.
João de Almeida Santos
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Dentre suas campanhas para a BENETTON, as que mais se destacam são:

Mediante a Guerra do Golfo, Toscani – como ele diz em seu livro – procurou mostrar na campanha da BENETTON o que uma guerra produz. Decidiu fotografar um cemitério, próximo a Páris, onde foram enterrados pessoas mortas na Segunda Guerra Mundial.

Na série de campanhas contra o preconceito, Toscani foi muito criticado neste trabalho por dar a entender que a mulher negra representava uma simples ama de leite, como nos tempos da escravidão.

Em suas fotos, Toscani brinca com os conceitos e principalmente preconceitos da sociedade: o anjo (bom) sempre loiro de olhos azuis e o demônio (mau) sempre negro.

Nesta peça, cabe ao receptor a interpretação: sem legendas, cabe a quem observa definir qual homem seria o prisioneira. Quem você pensou primeiro?

Uma das peças classificada como a mais agressiva foi esta imagem de um paciente em estado terminal de AIDS, agonizando, com sua familia ao redor.

Nesta outra peça, Toscani nos permite dois conceitos: somos todos iguais, portadores ou não de AIDS; não se identifica um portador de AIDS ao olho nú.


Toscani abordou nesta peça a discussão sobre o celibato e fez, também, uma alusão aos encontros ocultos de religiosos.
Outras campanhas de Toscani:




Referências:
TOSCANI, Oliviero. A Publicidade é um Cadáver que nos Sorri / Tradução de Luiz Cavalcanti de M. Guerra, 5ª ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.
FARINA, Mauricius Martins. Imagem Construída. Site Studium – http://www.studium.iar.unicamp.br – Acesso em 08 Abril 2007.
SANTOS, João de Almeida. Considerações sobre um Intelectual-Publicitário. Site Leonel Moura – http://www.lxxl.pt – Acesso em 08 Abril 2007